Lipoproteína(a): o risco cardiovascular que pode passar despercebido na menopausa

Lipoproteína(a): o risco cardiovascular que pode passar despercebido na menopausa

Seu colesterol pode estar dentro dos valores considerados normais e, ainda assim, existir um fator de risco cardiovascular que merece atenção.

Estamos falando da lipoproteína(a), também conhecida como Lp(a), um marcador determinado principalmente pela genética e que muitas mulheres desconhecem.


A importância desse exame e da avaliação cardiovascular feminina esteve entre os temas abordados no contexto do 20º Congresso Mundial de Menopausa, realizado no Rio de Janeiro, com a participação da Dra. Marina Zendron.


Durante o climatério e a menopausa, compreender os fatores que influenciam a saúde do coração é fundamental para uma prevenção mais individualizada.


O que é a lipoproteína(a)?

A lipoproteína(a), ou Lp(a), é uma partícula presente no sangue, semelhante ao LDL-colesterol, popularmente conhecido como colesterol ruim, mas com uma característica adicional: a presença de uma proteína chamada apolipoproteína(a).

Quando seus níveis estão elevados, a Lp(a) está associada a um maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, especialmente:

  • Aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de placas nas artérias;

  • Infarto do miocárdio;

  • Acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico;

  • Estenose da válvula aórtica, condição que dificulta a passagem do sangue do coração para o organismo.

Uma característica importante é que os níveis de Lp(a) são determinados principalmente pela genética. Isso significa que mesmo pessoas com alimentação equilibrada, rotina de exercícios e colesterol controlado podem apresentar valores elevados.


Por que avaliar a Lp(a) durante a menopausa?

A transição para a menopausa representa um período de mudanças importantes na saúde cardiovascular feminina.

A redução dos níveis de estrogênio está associada a alterações no metabolismo das gorduras, na distribuição da gordura corporal e em outros fatores que podem influenciar o risco cardiovascular.

Além disso, estudos mostram que os níveis de lipoproteína(a) podem aumentar durante a transição menopausal, embora essa variação não aconteça da mesma forma em todas as mulheres.

Por isso, o acompanhamento da menopausa precisa ir além dos sintomas mais conhecidos, como ondas de calor, alterações do sono e mudanças de humor.

Avaliar a saúde cardiovascular também faz parte do cuidado integral com a mulher nessa fase da vida.


Quando fazer o exame de lipoproteína(a)?

As diretrizes atuais recomendam que a dosagem de Lp(a) seja realizada pelo menos uma vez na vida adulta, como parte da avaliação do risco cardiovascular.

O exame é feito por meio de uma coleta de sangue e geralmente não precisa ser repetido com frequência, já que os níveis são predominantemente genéticos e relativamente estáveis.

Valores iguais ou superiores a 125 nmol/L ou 50 mg/dL, conforme a unidade utilizada pelo laboratório, são frequentemente considerados indicadores de risco cardiovascular aumentado.

Essas duas unidades não possuem uma conversão matemática exata, e a interpretação do resultado deve considerar o método laboratorial e o contexto clínico.

Também é importante lembrar que a Lp(a) representa um fator de risco adicional. Um resultado elevado não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá uma doença cardiovascular.


E se a lipoproteína(a) estiver elevada?

Embora a Lp(a) seja predominantemente determinada pela genética e não apresente grandes reduções apenas com mudanças no estilo de vida, conhecer seus níveis permite adotar uma estratégia de prevenção mais cuidadosa.

Dependendo do risco individual, o acompanhamento pode incluir:

  • Controle mais rigoroso do LDL-colesterol;

  • Monitoramento da pressão arterial e da glicemia;

  • Avaliação da composição corporal e da gordura abdominal;

  • Prática regular de atividade física;

  • Alimentação equilibrada e abandono do tabagismo;

  • Acompanhamento médico individualizado.

O tratamento não depende exclusivamente do valor da Lp(a), mas da avaliação conjunta dos fatores de risco e do histórico de saúde de cada paciente.


Cuidar do coração também faz parte do tratamento da menopausa

Durante muito tempo, o cuidado com a menopausa esteve concentrado principalmente no alívio dos sintomas hormonais.

Hoje, sabemos que essa fase representa também uma oportunidade importante para avaliar riscos e fortalecer estratégias de prevenção a longo prazo.

A avaliação cardiovascular deve considerar histórico familiar, pressão arterial, perfil lipídico, metabolismo da glicose, composição corporal e, quando apropriado, marcadores adicionais como a lipoproteína(a).

A terapia hormonal da menopausa, quando indicada, pode oferecer benefícios específicos para determinadas pacientes, mas não deve ser utilizada com a finalidade exclusiva de prevenir doenças cardiovasculares ou reduzir a Lp(a).


Na Clínica Marina Zendron, o acompanhamento da mulher no climatério e na menopausa considera essas diferentes dimensões da saúde, buscando um cuidado individualizado, baseado em evidências científicas e nas necessidades de cada paciente.


Porque tratar a menopausa não significa apenas aliviar sintomas. Significa também olhar para o futuro, preservar a saúde e investir em qualidade de vida e longevidade.


Você já realizou uma avaliação do seu risco cardiovascular? Converse com seu médico sobre os exames e cuidados mais adequados para o seu momento de vida.


Clínica Marina Zendron — Brusque/SC

IMS Rio Insights — Série de conteúdos e conhecimentos trazidos do 20º Congresso Mundial de Menopausa.

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