Preservar a massa e a força muscular durante a menopausa vai muito além da estética. É uma estratégia importante para a saúde metabólica, cardiovascular, óssea e para um envelhecimento com mais autonomia e qualidade de vida.
Esse foi um dos temas destacados pela Dra. Marina Zendron entre os aprendizados do 20º Congresso Mundial de Menopausa, realizado no Rio de Janeiro, que reuniu especialistas internacionais para discutir os avanços no cuidado com a saúde feminina.
Durante o climatério, o organismo feminino passa por mudanças hormonais que podem influenciar a composição corporal.
A redução dos níveis de estrogênio, associada ao processo natural de envelhecimento, pode favorecer alterações na distribuição da gordura corporal e contribuir para a perda progressiva de massa e força muscular.
Essas mudanças nem sempre são percebidas imediatamente. Muitas mulheres mantêm um peso relativamente estável, mas apresentam redução de musculatura e maior acúmulo de gordura visceral, especialmente na região abdominal.
Por isso, avaliar apenas o peso ou o Índice de Massa Corporal (IMC) não é suficiente para compreender todas as transformações que acontecem nessa fase.
O tecido muscular não serve apenas para movimentar o corpo. Ele participa de processos fundamentais para o equilíbrio metabólico e para a manutenção da saúde.
A redução da massa e, principalmente, da força muscular pode estar associada a diferentes consequências:
A musculatura é essencial para atividades cotidianas como caminhar, subir escadas, levantar-se de uma cadeira e carregar objetos.
Com a perda progressiva de força, essas tarefas podem se tornar mais difíceis, aumentando o risco de limitações funcionais e quedas, especialmente com o avanço da idade.
Os músculos desempenham um papel fundamental na utilização da glicose pelo organismo.
Uma menor quantidade de massa muscular, especialmente quando associada ao sedentarismo e ao aumento da gordura corporal, pode contribuir para alterações na sensibilidade à insulina.
Isso merece atenção porque a resistência à insulina está relacionada a um maior risco de pré-diabetes e diabetes tipo 2.
Durante a transição menopausal, pode ocorrer uma mudança na distribuição da gordura corporal, com maior tendência ao acúmulo na região abdominal.
A gordura visceral, localizada ao redor dos órgãos internos, é metabolicamente ativa e, quando em excesso, está associada a inflamação crônica e a maior risco de doenças metabólicas e cardiovasculares.
Preservar a musculatura e manter uma rotina ativa são medidas importantes para uma composição corporal mais saudável.
A saúde muscular e a cardiovascular estão conectadas.
A prática regular de exercícios, incluindo o treinamento de força, contribui para o controle da glicemia, da pressão arterial e de outros fatores de risco cardiovascular.
Mais do que aumentar a força, movimentar o corpo regularmente é uma forma de proteger a saúde do coração.
A menopausa também está associada à aceleração da perda de massa óssea, principalmente devido à redução dos níveis de estrogênio.
O treinamento de força ajuda a preservar a função muscular e, quando bem orientado, pode contribuir para a manutenção da saúde óssea.
A combinação de músculos fortes, equilíbrio e ossos saudáveis é fundamental para reduzir o risco de quedas, fraturas e perda de independência funcional.
Dores musculares e articulares, alterações do sono e cansaço são queixas frequentes durante o climatério.
Embora esses sintomas tenham diferentes causas e não sejam necessariamente consequência da perda muscular, a atividade física regular pode contribuir para melhorar o sono, a capacidade funcional e o bem-estar.
Por isso, o cuidado com a musculatura faz parte de uma abordagem mais ampla da saúde feminina.
A boa notícia é que existem estratégias eficazes para preservar e desenvolver força muscular, inclusive após a menopausa.
Entre os cuidados mais importantes estão:
Treinamento de força: exercícios resistidos, como musculação, ajudam a preservar e desenvolver massa e força muscular.
Alimentação adequada: a ingestão suficiente de proteínas e outros nutrientes é fundamental para a manutenção dos músculos.
Sono de qualidade: o descanso adequado favorece a recuperação muscular e a saúde geral.
Acompanhamento metabólico: avaliar glicemia, perfil lipídico, composição corporal e outros indicadores ajuda a identificar possíveis riscos.
Avaliação hormonal individualizada: quando indicada, a terapia hormonal pode integrar o tratamento da menopausa, considerando sintomas, riscos e necessidades de cada mulher.
É importante destacar que a terapia hormonal não substitui os exercícios físicos e a alimentação adequada, nem deve ser prescrita exclusivamente para aumentar a massa muscular.
Por muito tempo, o tratamento da menopausa foi associado principalmente ao controle de sintomas como ondas de calor, alterações do sono e desconfortos íntimos.
Hoje, uma abordagem integral também considera a saúde metabólica, cardiovascular, óssea e muscular, além dos hábitos de vida e das necessidades individuais de cada paciente.
Na Clínica Marina Zendron, o acompanhamento da menopausa busca compreender essas diferentes dimensões da saúde feminina, integrando conhecimento científico, avaliação individualizada e estratégias de cuidado que favoreçam o bem-estar a longo prazo.
Afinal, o objetivo não é apenas atravessar a menopausa com menos sintomas. É envelhecer com mais saúde, força, independência e qualidade de vida.
Se você está passando pelo climatério ou pela menopausa, uma avaliação especializada pode ajudar a identificar mudanças na composição corporal e orientar os cuidados mais adequados para essa fase.
Clínica Marina Zendron — Brusque/SC
IMS Rio Insights — Série de conteúdos e conhecimentos trazidos do 20º Congresso Mundial de Menopausa.